Grupo é formado por atletas amadores que vivem e trabalham em diferentes municípios do Rio Grande do Sul

Pela primeira vez o time palestino de futebol da FEPAL participará da Copa de Refugiados e Imigrantes que é realizada no Brasil desde 2014. A equipe – fundada no fim do ano passado – será uma das 12 seleções que estarão na etapa de Porto Alegre do torneio. Todos os jogos serão no dia 18 de agosto, das 9h às 17h, no estádio Passo D’Areia, Zona Norte da cidade. Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 10 e também poderão ser adquiridos na hora no local.

É a terceira vez que a capital gaúcha recebe o evento, realizado pela ONG África do Coração e pela Ponto Agência de Inovação Social, com promoção do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Além da Palestina, Chile, Costa do Marfim e Nigéria aparecem como novidades entre os participantes este ano. As demais seleções são: Colômbia, Venezuela, Angola, Haiti, Peru, Guiné Bissau, Líbano e Senegal – estes últimos finalistas da edição anterior, vencida pelos africanos.

“O objetivo maior é a inserção dos imigrantes e refugiados na sociedade brasileira”, diz de pronto Januário Gonçalves, presidente da ONG África do Coração/RS, angolano que vive há 30 anos no Brasil. “Queremos pedir para que as pessoas reservem um minuto para ouvir alguém que foi forçado a deixar o seu país”, diz. Segundo ele, a expectativa é que o público supere os 3 mil da edição anterior.

“Queremos pedir para que as pessoas reservem um minuto para ouvir alguém que foi forçado a deixar o seu país”, diz o presidente da ONG África do Coração/RS, Januário Gonçalves

Cada equipe joga entre si dentro de quatro grupos de três, em partidas de 20 minutos corridos; os primeiros colocados de cada grupo avançam para as semifinais. A final está marcada para as 16h30. O time campeão costumava garantir uma vaga no quadrangular final no Rio de Janeiro, mas a falta de verbas impediu que os senegaleses chegassem lá ano passado, o que fez com que a organização mudasse o regulamento. Em 2019, o representante da etapa de Porto Alegre na final do torneio – a Copa do Brasil de Refugiados – será uma seleção mista, formada por um jogador de cada equipe.

“É a maneira mais democrática e inclusiva de definir isso e de garantir que todos estejam representados”, diz Januário. “Não se trata de uma competição, é uma questão social”. Quanto mais gente acompanhar o evento, melhor. As despesas com transporte e hospedagem da seleção no Rio, em setembro, serão custeadas com a renda da bilheteria.

O time palestino

A primeira partida da Copa dos Refugiados 2019 em Porto Alegre será entre Palestina e Líbano, um encontro de dois velhos aliados.

Pode-se dizer que é graças a um libanês que o time palestino existe. Foi José Buchabqui, fundador da Associação Amigos do Líbano e do Brasil, quem sugeriu a formação da equipe ao ex-presidente da FEPAL, Elayyan Aladdin. “Sempre me sensibilizei com o sofrimento do povo palestino e penso que essa é uma boa forma de mobilizar a juventude e de dar mais visibilidade à causa”, esclarece Buchabqui.

Elayyan levou a ideia adiante e, no final do ano passado, começou a mobilizar interessados nas comunidades de todo o Rio Grande do Sul. Hoje, o grupo de WhatsApp do time tem cerca de 90 integrantes; 30 dos quais formam a base da equipe. Para a Copa, 15 jogadores foram selecionados e um técnico, Júlio César Scheibler, o Noca – que tem passagens por clubes profissionais –, foi contratado.

“Todos têm ligação com a Palestina”, explica Elayyan. “A maioria é descendente, mas temos palestinos natos, inclusive nascidos em campos de refugiados”, diz. O grupo da Copa é composto por atletas amadores na faixa dos 20 a 30 anos, que vivem e trabalham em diferentes municípios do RS – da região fronteiriça de Uruguaiana e Santana do Livramento à Região Metropolitana. Tem médico, dentista, mas muito empresário e comerciário.

“O mais importante num evento como esse é aproximar as pessoas e buscar mais respeito entre os nossos povos e nações”, diz Ibrahim Salama, um dos organizadores da equipe palestina

Um dos organizadores da equipe, o proprietário de uma sorveteria e cafeteria em Porto Alegre, Ibrahim Salama, está bastante confiante. “Nossa expectativa é ganhar a Copa”, emenda ele, que além de zagueiro, costuma ser o responsável por marcar jogos e treinos, cuidar da acomodação dos atletas, fazer um pouco de tudo. Ibrahim lamenta, mas terá de desfalcar o time no torneio. Assim como outros três jogadores, ele já estava com passagens compradas para uma visita à Palestina quando as datas foram definidas.

No último domingo, dia 4, o time fez o “reconhecimento” do gramado artificial do Passo D’Areia. Foi a primeira – e única – movimentação do técnico Noca com o grupo antes do dia 18. Pela distância, fica difícil manter uma frequência maior do que a de um treino por mês. Mas essa é uma questão secundária no momento, garante Ibrahim. “O mais importante num evento como esse é aproximar as pessoas e buscar mais respeito entre os nossos povos e nações”, diz.