Embaixador palestino, Ibrahim Alzeben (foto), e diretoria da FEPAL participaram de Sessão Especial, requerida pelo senador Espiridião Amin (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Solidariedade. Para o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, esta é a palavra que melhor define a história de amizade e cooperação entre palestinos e brasileiros. O diplomata foi um dos oradores da Sessão Especial do Senado que celebrou – na manhã desta quinta-feira (26), em Brasília – os 40 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Em homenagem requerida pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), Alzeben relembrou episódios marcantes dessa trajetória e agradeceu a acolhida do povo brasileiro aos imigrantes e refugiados palestinos. “[Os palestinos] integraram-se a esta sociedade e aprenderam a amar esta terra abençoada como sua própria pátria-mãe”, disse da tribuna. “Esta solidariedade foi fundamental para aliviar a dor da diáspora, que já tem mais de 71 anos”.

Do voto favorável do Brasil no Plano de Partilha aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1947, passando pelo reconhecimento do Estado Palestino, em 2010, à inauguração da embaixada em Brasília, em 2016, o embaixador enumerou momentos marcantes do apoio brasileiro à Palestina livre e soberana. Citou a chancela do povo nas ruas nas últimas décadas, esforços de sucessivos governos, de diferentes partidos e inclinações políticas, e a criação de inúmeros comitês, leis e atos legislativos.

“O Brasil com suas forças vivas, com seus partidos, aqui dignamente representados, sempre esteve ao lado da justiça, por ser um povo soberano, amante da liberdade e da vida digna”, afirmou Alzeben. O embaixador apelou à população e ao governo brasileiro que deem continuidade a este apoio favorável não apenas à Palestina, mas a uma solução definitiva de paz para palestinos e israelenses.

“(…) forças contrárias podem fazer milagres, podem conquistar o espaço sideral, dessalinizar oceanos ou desenvolver as tecnologias mais avançadas e sofisticadas, mas nunca poderão dobrar a nossa resistência, a nossa persistência em viver na nossa Palestina soberana, digna, independente, tendo Jerusalém como nossa capital eterna”

Alzeben defendeu a solução de dois Estados – baseada em resoluções previstas pelo direito internacional e defendida por uma ampla maioria de nações independentes – como a única “possível e viável”. O conflito, segundo ele, não pode ser ignorado ou tratado como assunto secundário por governantes, pois não ameaça apenas a estabilidade do Oriente Médio, mas a segurança e a paz do mundo inteiro.

Para os que defendem a rendição do povo palestino e consideram legítima uma ocupação militar que já supera cinco décadas, o embaixador mandou uma mensagem: “talvez estas forças contrárias podem fazer milagres, podem conquistar o espaço sideral, dessalinizar oceanos ou desenvolver as tecnologias mais avançadas e sofisticadas, mas nunca poderão dobrar a nossa resistência, a nossa persistência em viver na nossa Palestina soberana, digna, independente, tendo Jerusalém como nossa capital eterna”.

O BRASIL COMO PROTAGONISTA NA LUTA POR JUSTIÇA PARA OS POVOS

Presidente da FEPAL, Ualid Rabah, ressaltou a importância da resistência palestina na luta por liberdade (Foto: Pedro França/Agência Senado)

A Federação Árabe Palestina do Brasil, por meio de seu presidente, Ualid Rabah, também esteve à mesa que conduziu a sessão desta quinta. A entidade também esteve representada no Plenário pelos dirigentes Jihad Abu Ali (Relações Internacionais), Faysa Dahoud (Assuntos para Refugiados) e Ayman Altell (segundo vice-presidente), além de representantes da Sanaúd – Juventude Palestina, integrantes da comunidade palestina e demais apoiadores.

No seu pronunciamento, o presidente da FEPAL destacou a representatividade da comunidade palestina no Brasil, hoje presente em quase todos os estados da nação, e os 125 anos da imigração palestina – celebrada pela FEPAL em seu último Congresso. “Mas não somos imigrantes comuns”, esclareceu, “temos uma tragédia que massificou e multiplicou por várias vezes nossa diáspora, quando uma brutal limpeza étnica se abateu sobre nós”.

Segundo levantamento da ONU, de um total de 14 milhões de palestinos hoje – apenas 0,2% da população global –, 6 milhões são refugiados. Isso corresponde a 9% da população total de refugiados no mundo. “É como se para cada refugiado, de qualquer outro grupo étnico, houvesse 45 refugiados palestinos”, comparou Ualid. “É uma tragédia monumental”, reforçou. Uma tragédia, no entanto, que jamais conseguiu silenciar o povo palestino ou apagar a sua história milenar, complementou.

“O Brasil e a Palestina devem seguir juntos porque seus sonhos só se realizam num novo mundo, melhor e mais justo. O Brasil será maior num mundo em que a Palestina seja livre”

Ualid também traçou paralelos entre as nações nas suas buscas, a partir do pós-Guerra, por uma posição geopolítica de maior destaque. Para ele, o reconhecimento do Brasil como uma democracia madura deve-se muito à uma política externa responsável, conduzida ao longo de muitos governos. E a Palestina, “pequena em território, mas grande em história”, também cresceu neste período, e hoje é reconhecida como Estado soberano por mais de 140 países.

Por fim, o presidente da FEPAL reiterou a confiança da comunidade palestino-brasileira no Brasil como protagonista na luta por justiça para os povos – “inclusive o palestino”. “O Brasil e a Palestina devem seguir juntos porque seus sonhos só se realizam num novo mundo, melhor e mais justo. O Brasil será maior num mundo em que a Palestina seja livre”, pontuou.

AMIGO DE LONGA DATA DA CAUSA PALESTINA

A Sessão Especial desta quinta-feira foi requerida por um velho amigo da Causa Palestina, o senador Espiridião Amin. Na abertura da sessão, o ex-governador de Santa Catarina celebrou os vínculos históricos entre as nações e até mesmo exibiu fotos suas com Yasser Arafat, tiradas na visita do líder palestino ao Brasil em 1995. “Esse momento, mais do que no papel, eu o carrego no coração”, disse.

Amin foi o primeiro a retomar os episódios que marcaram as relações diplomáticas entre os dois países. Ele mencionou a abertura da representação diplomática palestina no Brasil em 1993, durante o governo Itamar Franco; a abertura do escritório de representação em Ramalah, em 2004, durante o primeiro mandato de Lula, e, especialmente, o reconhecimento brasileiro à existência do Estado Palestino, em 2010. Todos os demais países sul-americanos acabariam seguindo a posição brasileira nos anos subsequentes.

Sessão Especial foi requerida pelo Senador Espiridião Amin (centro) (Foto: Pedro França/Agência Senado)

“Nos orgulhamos dessa trajetória, mas sabemos que ainda há muito a construir nesse relacionamento fraterno com os nossos irmãos palestinos, em todos os campos”, disse o senador. Entre os desafios e oportunidades de cooperação, Amin citou a validação do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Palestina, que aguarda sanção presidencial desde 2017.

Compuseram também a mesa o embaixador da Liga dos Estados Árabes, Qais Shqauir e o diretor do Departamento de Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Sidney Romero, que em breve pronunciamento ao final da sessão reforçou a importâncias dos laços culturais, econômicos e religiosos entre brasileiros e palestinos, e o apoio do Itamaraty à solução de dois Estados.

Representações diplomáticas e embaixadores de diversos países, além de parlamentares, também acompanharam a sessão. Assinaram o requerimento os senadores(as): Kátia Abreu (PDT/TO), Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), Eduardo Braga (MDB/AM), Eduardo Girão (PODEMOS/CE), Rogério Carvalho (PT/SE), Veneziano Vital do Rêgo (PSB/PB) e Weverton (PDT/MA).

Confira a sessão na íntegra:

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