Dom Orani João Tempesta (dir.), cardeal do Rio de Janeiro, disse a juiz supremo da Palestina que posição da Igreja Católica baseia-se no respeito ao direito internacional

O cardeal do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, afirmou hoje, em encontro com autoridades palestinas em visita ao Brasil, que a posição da Igreja Católica para a Questão Palestina consiste e baseia-se no respeito ao Direito Internacional, especialmente quanto ao status da cidade sagrada de Jerusalém.

Esta posição foi transmitida pelo cardeal nesta manhã, no Rio de janeiro, na recepção a Mahmoud Al-Habbash, Juiz Supremo da Palestina e assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas para assuntos religiosos e islâmicos. Dom Orani reafirmou que a posição da Igreja Católica segue o consenso da Comunidade Internacional de que Jerusalém de ser uma cidade aberta a todas as religiões. Disse, ainda, que é preciso agradecer ao Estado da Palestina pela sua política de proteção dos lugares sagrados cristãos em Jerusalém e por preservar a presença cristã na Palestina.

Al-Habbash, que está no Brasil desde o dia 12 para participar do 32° Congresso Internacional para Muçulmanos da América Latina e Caribe, transcorrido em São Paulo de 12 a 15, visitou Dom Orani para transmitir-lhe as preocupações do governo e povo palestinos acerca das graves violações israelenses em Jerusalém e dos movimentos perigosos de alguns governos estrangeiros em apoio aos crimes da ocupação.

O magistrado palestino disse que o Estado da Palestina rejeita quaisquer medidas da potência ocupante que prejudiquem os direitos palestinos em Jerusalém ou que mudem seu status conforme ditado pelo Direito Internacional, ações ilegais de Israel que visam à sua integral tomada e à inviabilização da sua condição de capital da Palestina.

Na visita, Al-Habbash denunciou, ainda, a abertura pelo governo brasileiro de um escritório comercial na Jerusalém ocupada, bem as declarações do filho do presidente do Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, sobre a transferência da embaixada de seu país de Tel Aviv para Jerusalém, indicando que isso prejudicaria as relações árabe-brasileiras. Ainda segundo Al-Habbash, esta posição do governo brasileiro não satisfaz a maioria dos brasileiros nem os interesses nacionais e econômicos do Brasil.

Para Al-Habbash, o governo brasileiro deve abandonar essas políticas aventureiras que prejudicam os interesses do povo brasileiro e que, também, não ajudam a alcançar uma paz justa no Oriente Médio, enfatizando que as relações entre os povos palestino e brasileiro são profundas e não devem ser prejudicadas por desvios momentâneos de visões políticas equivocadas.

Com informações da agência de notícias palestina WAFA.