A Palestina solicitará mais uma vez a adesão plena à Organização das Nações Unidas (ONU). O anúncio de que o pedido será formalizado ao Conselho de Segurança dentro de “algumas semanas” foi feito ontem (15) pelo ministro palestino das Relações Exteriores, Riad al-Maliki.

No Brasil, a notícia repercutiu de forma positiva. Mesmo que admita a possibilidade de veto dos Estados Unidos, o embaixador da Palestina no país, Ibrahim Alzeben, demonstra confiança. “Esperamos que o bom senso ilumine o caminho e a visão política do presidente Trump, porque é ele quem toma a decisão”, disse à FEPAL.

Para garantir a adesão total à organização internacional, a Palestina precisa do apoio de nove dos 15 países membros do Conselho de Segurança – desde que nenhum dos cinco membros permanentes use seu direito de veto – antes de serem aprovados em Assembleia Geral.

“O povo palestino tem esse direito”, defendeu Ibrahim Alzeben. “Honramos o nosso compromisso com o mundo, com o meio ambiente, com os direitos humanos, contra o terrorismo e a favor da convivência pacífica entre os estados e os povos. Esperamos que muito em breve sejamos o número 194 da comunidade internacional”, completou.

Desde novembro de 2012, a Palestina é um “estado membro não pleno” da ONU, o que lhe permite integrar, com direitos a voz e voto, as agências da organização, como OMS, OMC, OIT, Unesco, Interpol, TPI etc. O status de observador – mesmo que seja um reconhecimento da existência de um Estado soberano, aprovado por 138 nações – não dá direito, no entanto, a voto na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança.

Palestina

Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina no Brasil, diz que reconhecimento como membro pleno da ONU é um direito do povo palestino (Foto: Ramon Moser/UFRGS)

Palestina na presidência do Grupo dos 77

No mesmo dia do anúncio do ministro das Relações Exteriores, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, assumiu a presidência do Grupo dos 77, o maior bloco de países em desenvolvimento da ONU.

Na cerimônia de posse, Abbas disse que está comprometido com uma “solução pacífica para acabar com a ocupação e a realização da independência do Estado palestino com Jerusalém como capital”.

Segundo o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), o regime israelense, com sua “colonização e ocupação contínuas”, está dificultando o desenvolvimento do Oriente Médio.

Para o embaixador Ibrahim, é necessária uma revisão do “apoio incondicional e lamentável dos Estados Unidos” a Israel para que haja avanços nesse sentido. “Queremos viver em paz e harmonia, com respeito e tolerância a todos os países, inclusive com Israel, ter uma boa relação de amizade e vizinhança”, observou.

Relação com o novo governo brasileiro

Ibrahim Alzeben disse estar “tratando de manter a melhor relação possível” com o novo governo brasileiro. Segundo ele, é função diplomática respeitar a “decisão soberana do povo e trabalhar com quem foi eleito, com respeito e consideração”.

A principal autoridade palestina no Brasil também sinalizou que trabalha para reverter a posição sobre a transferência da embaixada de Israel de Tel Aviv para Jerusalém. “Esperamos também o bom senso do governo brasileiro, que sempre respeitou o direito internacional e tratou de preservar a paz mundial”, concluiu o embaixador.

Com informações da Hispantv