Em reunião na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, diretoria da FEPAL faz apelo a organizações internacionais e desmente acusações contra exposição aberta na última segunda-feira (25) no parlamento gaúcho

A diretoria da FEPAL participou na manhã desta quarta-feira (27) de reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O encontro, alusivo ao Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, teve a participação de parlamentares amigos da Causa como Sofia Cavedon e Luciana Genro, além do historiador e ex-deputado Raul Carrion.

Membros da comunidade vindos de vários pontos da Região Metropolitana de Porto Alegre acompanharam a leitura da deputada Sofia Cavedon de uma carta endereçada ao secretário geral da ONU, António Guterres. O documento, redigido pela FEPAL, reafirma os princípios de paz e humanismo que balizaram a criação do órgão no pós-Segunda Guerra Mundial e cobra medidas efetivas para que o processo de limpeza étnica perpetrado pelo Estado de Israel seja freado.

Deputada Sofia Cavedon leu na reunião da comissão carta da FEPAL que está sendo encaminhada ao secretário geral da ONU

No seu discurso, o presidente da FEPAL, Ualid Rabah, comparou o processo de colonização israelense dos territórios palestinos ao regime de apartheid da África do Sul. Ele reforçou que – assim como foi feito no caso do país africano – é fundamental que as Nações Unidas passem a liderar a comunidade internacional para que suas próprias resoluções sejam respeitadas e crimes de lesa humanidade sejam punidos.

“O regime de segregação racial na África do Sul, uma das coisas mais abjetas que vimos na História recente da humanidade, foi superado com a mobilização da comunidade internacional, da sociedade civil, dos Estados membros da ONU e da própria ONU. A mesma coisa deve ser dar para a resolução de todos os problemas que impliquem em crimes de lesa humanidade, dentre eles a Questão Palestina”, disse.

Presidente da FEPAL, Ualid Rabah, cobrou mobilização da comunidade internacional e da sociedade civil para que o regime de apartheid na Palestina seja enfim superado

TENTATIVA DE CENSURA À EXPOSIÇÃO PALESTINA NA CASA

Tanto os parlamentares presentes como o dirigente palestino condenaram as tentativas de grupos minoritários de censurar a exposição “Palestina: da Limpeza Étnica à Resistência e Reconhecimento Internacional”, aberta para visitação pública desde segunda-feira (25) na ALRS.

“Se o racismo e a tentativa de subordinação de nações e povos são uma atividade global – difundidas a partir de centros dominantes – seu discurso também tem que ser global. Portanto, não nos espanta que tenham tentado calar a voz palestina aqui também. Em momento algum se tentou ultrapassar os limites da legalidade internacional, da ética e da moral”, esclareceu Ualid.

“Palestina: da Limpeza Étnica à Resistência e Reconhecimento Internacional” está aberta à visitação pública na ALRS desde segunda-feira (25)

Segundo ele, que esteve acompanhado de sua vice, Fátima Ali, o objetivo da exposição é divulgar ao máximo as injustiças históricas cometidas na Palestina ao mesmo tempo em que se buscar ampliar o diálogo para a construção da paz na região. Uma nota de esclarecimento rebatendo acusações infundadas e atestando a veracidade do conteúdo exposto foi entregue ao superintendente geral da AL, Alvaro Panizza Salomon Abi Fakredin, que estava representando o presidente da Casa, Luís Augusto Lara.

“Se o racismo e a tentativa de subordinação de nações e povos são uma atividade global – difundidas a partir de centros dominantes – seu discurso também tem que ser global. Portanto, não nos espanta que tenham tentado calar a voz palestina aqui também. Em momento algum se tentou ultrapassar os limites da legalidade internacional, da ética e da moral”, disse o presidente da FEPAL, Ualid Rabah

A mostra, uma parceria entre a FEPAL e os gabinetes do deputado Luiz Fernando Mainardi e da deputada Sofia Cavedon, reúne uma série de cartazes com textos informativos e depoimentos públicos de figuras célebres – como Albert Einstein, Nelson Mandela, Al Pacino e Roger Waters – denunciando os crimes de Israel contra os palestinos.

DIA DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO

A Organização das Nações Unidas reconhece o dia 29 de novembro como o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Nesta mesma data, só que em 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou – sem consulta prévia à população palestina – o Plano de Partilha da Palestina.

A Resolução 181, que deu origem ao texto, previa a criação de dois estados: um judeu e um árabe, com uma divisão de terras desproporcional que beneficiava a minoria de imigrantes recém-chegada. Mesmo que nunca tenha sido implementada, essa resolução abriu espaço para que milícias sionistas invadissem os territórios palestinos, matassem milhares e expulsassem cerca de 750 mil cidadãos de seus lares, para que então se autoproclamassem um Estado.

Numa tímida mea culpa após reiteradas demonstrações de desprezo ao direito humanitário internacional por parte de Israel e seus aliados, em 1977 a ONU decide criar a data. Desde então, os palestinos do mundo todo aproveitam a ocasião para cobrar da comunidade internacional medidas efetivas que ponham fim à ocupação militar israelense e finalmente reconheçam a independência e a autonomia de um Estado Palestino.

 

Membros da comunidade palestina de vários pontos da Grande Porto Alegre acompanharam a reunião da Comissão de Direitos Humanos em homenagem à Palestina

Amigas da comunidade árabe palestina foram conferir mostra que reúne cartazes com textos informativos e frases de figuras célebres que condenam a ocupação israelense