É com profunda indignação que nós, da Federação Árabe Palestina do Brasil – FEPAL, recebemos as notícias das demolições de dezenas de lares palestinos em Wadi Hummus, na Jerusalém Oriental ocupada. Essa é mais uma violação do regime israelense ao direito humanitário internacional neste processo flagrante de colonização e limpeza étnica na Palestina.

Segundo as Nações Unidas, na madrugada de domingo para segunda-feira (22), 20 pessoas foram expulsas de suas casas e outras 350 – proprietárias de imóveis que ainda estão em construção no local – podem ser prejudicadas até o fim da ação. Os moradores foram retirados à força no meio da noite, conforme veículos de demolição avançavam sobre os prédios.

Os edifícios estão localizados na Área A da Cisjordânia, território de jurisdição exclusiva do governo palestino desde os Acordos de Paz de Oslo, de 1993. A própria entrada das forças israelenses não é permitida no local. No entanto, a Suprema Corte de Israel, que sequer jurisdição tem para tanto, salvo se como extensão do poder colonial ocupante, em mais uma decisão arbitrária, ordenou a demolição dos imóveis, por considera-los um perigo para a população israelense por estarem perto demais do muro que corta o território palestino.

Esse muro de mais de 750 km de extensão, condenado pela Corte Internacional de Justiça, está sendo construído pela ocupação israelense desde o início dos anos 2000, sob alegação de “medidas protetivas”. Na prática, ele serve para impedir que a população palestina tenha acesso às suas terras, prejudicando não apenas o livre trânsito de pessoas, mas todas as atividades econômicas da região, em especial a agricultura, além de confiscar quase todos os aquíferos. Em inúmeros pontos, a barreira invade áreas de controle civil palestino, sem que nenhum órgão internacional até hoje tenha tomado alguma medida efetiva para impedir sua expansão.

Até quando o povo palestino terá de sofrer impunemente com o regime de apartheid do Estado de Israel? Até quando a comunidade internacional, como a União Europeia (UE) – que condenou em uma nota branda esse episódio – ficará de mãos atadas diante de mais um crime de lesa humanidade? Até que ponto o atual governo brasileiro fechará os olhos para as violações de Israel por conta de uma afinidade ideológica que fere toda a nossa tradição diplomática?

Até quando o povo palestino terá de sofrer impunemente com o regime de apartheid do Estado de Israel? Até quando a comunidade internacional, como a União Europeia (UE) – que condenou em uma nota branda esse episódio – ficará de mãos atadas diante de mais um crime de lesa humanidade? Até que ponto o atual governo brasileiro fechará os olhos para as violações de Israel por conta de uma afinidade ideológica que fere toda a nossa tradição diplomática?

A FEPAL reitera sua indignação e lamenta mais essa demonstração contrária de Israel à promoção da paz na região. Atos criminosos como esse não podem ficar mais uma vez impunes, abrindo precedentes que legitimam e reforçam a perseguição de um povo em seu próprio território. É preciso que os organismos internacionais interfiram de uma vez por todas para conter os avanços colonialistas de Israel. Sob o pretexto estapafúrdio da manutenção da segurança da região, o povo palestino está sendo dizimado por um experimento genocida que tem de ser freado urgentemente.

A comunidade internacional, os governos e os povos não podem ficar inertes diante de mais essa injustiça. Pelo fim da ocupação ilegal, por uma Palestina livre, independente e soberana!