É com alegria e renovada esperança que a comunidade palestino-brasileira, uma das mais importantes da diáspora global palestina, representada por sua Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), encara a realização da reunião deste Conselho Nacional Palestino, máxima instância de representação e deliberação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), única e legítima representante de todo o povo palestino, em Ramallah, na Palestina ocupada.
Esta reunião deste CNP, deste dia 30 a 4 de maio, primeira após 2009, quando da reunião de emergência que teve lugar nesta mesma Ramallah, não é apenas mais uma reunião. O momento histórico vivido pelo povo palestino é grave, de risco existencial como, talvez, jamais havido em nossa tragédia, de limpeza étnica, genocídio, exílio e ocupação. Os desafios que nos são impostos, inclusive na diáspora, obedecem ao principal risco que sobre nós paira, que é existencial, qual seja, de fazer desaparecer das agendas internacional e regional a Questão Palestina e, de consequência, a desaparição mesma de nosso direito a existência enquanto povo e Estado.
Seguimos depositando máxima confiança neste CNP, especialmente em sua capacidade de se renovar em busca de nossos objetivos mais concretos, todos baseados nos direitos nacionais, civis e humanitários de nosso povo, sempre ancorados no Direito Internacional Humanitário e contando com o apoio da quase totalidade da Comunidade Internacional e seus organismos, dentre eles a ONU, para cumlinar com a criação e o reconhecimento do Estado Palestino, com Jerusalém sua capital.
Rogamos e cremos que esta máxima representação de nosso povo, diáspora incluída, será capaz de lidar com as tarefas que poderão nos levar à concretização de nossos objetivos. Para tanto, se fazem necessárias as renovações deste Conselho, bem como da direção e da política de nossa única e máxima OLP, sem o que não seremos capazes de enfrentar, à altura, os desafios impostos pela atual conjuntura, que é dura, crucial e, a depender dos desfechos, de risco à nossa existência.
Dentre os desafios postos, enxergamos que nos são caros a organização do Estado, a unidade nacional e debelarem-se todos os intentos de secessão territorial, bem como derrotarem-se todas as ingerências externas em nossos assuntos internos, seja como povo, seja como resistência.
Por fim, rogamos que este Conselho e a OLP sejam capazes de considerar, no rumo de sua renovação, os novos atores e as forças que têm construído, notadamente da diáspora, mas sempre respeitando suas organizações legítimas e históricas, todas desafiadas pelas mesmas forças e razões que nos fazem temer por nossas próprias existências enquanto povo e Estado.
É neste sentido que esta FEPAL, bem como a organização continental à qual é filiada e integra, a Confederação Palestina Latino-americana e do Caribe (COPLAC), clamamos sejam consideradas as comunidades palestinas na diáspora, seja a brasileira em específico, sejam as demais neste continente, pois é delas que devem derivar os novos membros, nas quais nascem os novos atores da resistência e da palestinidade que insiste em não desaparecer.
Brasil, 28 de abril de 2018.