Estimada Daniela Suzuki
Tomamos conhecimento, como instituição e como comunidade palestino-brasileira, integrante da diáspora palestina global, de postagem vossa, no Instagram, contendo manifestação de solidariedade à Palestina e de condenação do regime de Israel por sua conduta desumana de prender crianças palestinas, inclusive a partir de 12 anos, e condená-las a penas de prisão de até 20 anos por atos absolutamente ligados apenas à resistência à ocupação, como atirar pedras nos veículos blindados do exército ocupante israelense. Agradecemos muito pela sua solidariedade, bem como por sua coragem de manifestá-la com tanta firmeza, com tantos dados.
Malgrado ser uma manifestação de defesa dos mais estritos direitos humanos, tomamos nota de uma reação desproporcional e negativa de setores minoritários da sociedade brasileira, não raro de racistas e supremacistas, em condenação à sua justa denúncia. Alguns o fizeram da forma mais brutal e irracional, quase se igualando à opressão imposta por Israel à Palestina e ao seu povo, desarmado e indefeso, cercado e pilhado, expulso de suas terras, impedido de ir e vir em suas próprias cidades e vilas. Mas foram infinitamente maiores as manifestações em seu apoio, às quais nos somamos, e isto nos alegra muito.
Já outros, mais atentos às repercussões negativas de suas reações serem interpretáveis como de defesa de Israel e de seus crimes, o fizeram em termos diversos, pedindo que preste atenção ao outro lado, o israelense, que também sofreria consequências do que se dá na Palestina ocupada, como se pudessem ser equiparadas a potência ocupante e belicamente infinitamente superior e a população que sofre a ocupação. O Direito Internacional Humanitário e a Comunidade Internacional e suas instituições e organizações, dentre elas a ONU, repudiam esta equiparação desde o reconhecimento, há mais de 50 anos, do direito dos povos à autodeterminação e à soberania e à reação ao colonialismo em busca de suas independências.
Esta Federação Árabe Palestina do Brasil lhe estende, em nome da comunidade/diáspora palestina neste país que tão bem a acolheu, a mais irrestrita solidariedade e apoio, bem como curva-se em seu louvor por tão oportuna e corajosa manifestação, visto que ela se dá justo num momento de agudização da ocupação e da desproporcional reação de Israel às legítimas manifestações que pedem apenas e tão somente o desbloqueio de parte do território palestino, a Faixa de Gaza, sob hermética clausura há 11 anos, disto decorrendo até o momento perto de 50 assassinatos por franco atirados israelenses, muitos de crianças, e mais de 5 mil feridos, muitos com gravidade e até mutilados.
Por fim, aproveitamos do ensejo para convidá-la a visitar a Palestina, e não apenas para conferir in loco seu sofrimento sob o apartheid e a limpeza étnica impostas pela ocupação, mas para que conheça um povo vibrante em suas cultura, história milenar, culinária, cidades tão antigas quanto a civilização, seus sítios arqueológicos, sua espiritualidade reverenciada por bilhões de pessoas, e especialmente sua alegria, que não cede aos escombros e cadáveres que lhe são impostos.
A diáspora palestino-brasileira, comovida por sua solidariedade, se coloca à sua inteira disposição e em sua irrestrita defesa. A aguardamos na Palestina em breve.
Brasil, 26 de abril de 2018.
ELAYYAN TAHER ALADDIN
Presidente