A Palestina, especialmente suas diásporas brasileira e latino-americana e caribenha, lamentam a perda de um de seus filhos mais ilustres e um de seus mais fecundos militantes e dirigentes, HASSAN MUSA EMLEH, que faleceu hoje, aos 80 anos, em Valinhos, no interior do Estado de São Paulo, onde residia e estava há mais de uma semana internado.
Abu Ziad, como era mais conhecido, foi um dos mais importantes militantes, ativistas e dirigentes do Movimento Nacional Palestino no continente, especialmente no Brasil, onde passou a residir a partir de 1971, 10 anos após emigrar da Palestina para o Perú, sua primeira diáspora.
A história política de Abu Ziad é tão extensa quanto seus 80 anos de vida. Nascido a 21 de dezembro de 1937, na aldeia de Beit Ula, na região de Hebron, Palestina, Abu Ziad inicia sua militância pela libertação da Palestina ainda quando estudante. Chegou a presidir (1954/57) a poderosa União Geral dos Estudantes.
Uma vez formado, passou a lecionar História Árabe e Islâmica, condição que lhe conferiu, também, a reputação de militante de forte formação intelectual e um dos mais preparados para os debates da história e da formação da Palestina e de sua resistência. Sua vida como professor na Palestina foi curta, de 1958 a 1960, lecionando história em Hebron e em Belém.
Seu fervor nacionalista lhe fez pagar alto preço. Neste período, já na condição de professor, sofreu severa perseguição política, o que o levou ao cárcere, onde foi torturado física e psicologicamente. É neste período que Abu Ziad conhece, em seus primórdios, o movimento Al Fatah, criado e liderado por Yasser Arafat, ao qual adere e nele segue até seu dia final.
As dificuldades impostas ao povo palestino, bem como a perseguição política, a prisão, as torturas e a falta de perspectivas, maiores ainda para quem exercia militância nacionalista com vistas à libertação da Palestina, levaram o ainda jovem Abu Ziad a buscar refúgio fora de sua terra ancestral.
O Peru foi sua primeira parada, onde viveu de 1961 a 1971. Lá casou com Otilia Polo Emelh. Ao Brasil chegou em 1971. Aqui se dedicou ao comércio e amplificou sua militância no Movimento Nacional Palestino.
Foi precursor, no Brasil e no continente, da organização da Comunidade Palestina, integrando-a à OLP – Organização para a Libertação da Palestina, que passa a figurar na cena latino-americana com sua militância e de alguns que com ele militaram neste período inaugural. Foi o principal articulador e fundador da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil, em 1980, entidade que presidiu nas formações de 1982, 1987 e 1992.
Em 1982 vem o grande salto continental, com a fundação da COPLAC – Confederação Palestina Latinoamericana e do Caribe, também sob o guarda-chuva da OLP, que passou a presidir em 1993, quando de seu 3º Congresso, realizado no Chile, organização que segue sendo a principal referência da palestinidade no Continente.
Em 1984 foi eleito para o Conselho Nacional Palestino, máxima instância deliberativa da OLP, integrando-o até estes dias.
Abu Ziad é reconhecido, no Brasil e no continente, como uma das principais lideranças palestinas da história, responsável pela articulação do Moimento Nacional Palestino e pela criação da quase totalidade de suas organizações e entidades, notadamente as sociedades palestinas e suas entidades gerais nacionais e continental.
Guardam sua história e honram sua memória a esposa Otilia Polo Emelh e os filhos/as Ziad, Sarah, Azizeh, Faten e Nádia, bem como os milhares de palestinos e palestinas que o conheceram e com ele militaram, conviveram, aprenderam e conheceram a resistência Palestina. A Palestina e sua diáspora devem muito ao empenho e à entrega sincera e apaixonada de Abu Ziad à Causa Palestina.
O Sepultamento será amanhã, 29 de abril, às 11 horas, no Cemitério das Acácias, à Avenida Antônio F. de Paula Souza, 4370, Jardim Anton Von Zuben, Campinas-SP
Brasil, 28 de abril de 2018.